Objetivo

Objetivo da Umbanda

O primeiro objetivo da Umbanda em nossas vidas é nos ajudar.  O objetivo último da Umbanda em nossas vidas é não precisar mais da Umbanda para nossas vidas. No meio do caminho, a Umbanda traz uma proposta de autoconhecimento na qual o ideal é nos fazer acordar deste estado de sonolência em que vivemos, nos fazer menos autômatos e mais conscientes de quem somos nós.

Embora muitos ainda busquem a religião exatamente no sentido em que [Karl] Marx a definiria, como o ópio do povo, principalmente quando estamos inebriados por uma sociedade doente, ainda assim a Umbanda tenta nos libertar de nós mesmos, nos libertar de nossos vícios, condicionamentos e do nosso ego.

A mente sempre engana. Quando começamos a frequentar algum grupo espiritualista, religioso ou mesmo esotérico, logo passamos a crer que somos melhores que os outros simples mortais, um truque do ego que nos aprisiona em sentimentos de inferioridade sufocados pela arrogância na pretensão de sermos melhores que os outros. Toda a sociedade está voltada para isso: competitividade, disputa e poder num mundo consumista.

Me lembro de ter lido uma história de um reino no qual uma bruxa havia envenenado a água do poço principal para que todos ficassem loucos. Tempos depois, apenas o rei e a rainha não estavam loucos, pois possuíam um poço particular. Logo, todo o povoado, em sua loucura, decidiu matar o rei e a rainha, pois consideravam que os dois estavam loucos. A solução foi o rei e a rainha beberem da água do poço envenenado, para, ao se tornarem loucos, serem considerados sãos por seu povo.

É isso que acontece quando todos estão loucos, vivendo uma mesma loucura: isso lhes parece normal, parece que é a sanidade; então, quando aparece alguém realmente são, este é declarado louco. Por este motivo, os grandes místicos são considerados loucos de Deus, por este motivo, a mediunidade durante muito tempo foi considerada insanidade.

A Umbanda nos aponta para esta loucura maravilhosa que é ver a vida com outros olhos, nos fazer despertar, acordar. No entanto, o ego nos faz acordar de um sonho dentro de outro sonho, despertar de uma ilusão para dentro de outra ilusão, nos fazendo crer superiores. Vemos muitos espiritualistas apegados a ideia do desapego, muitos desejando não ter mais desejos e outros viciados em se mostrar virtuosos.

A Umbanda diz: aprenda tudo isso, separe vícios de virtudes, procure a luz, seja bom, seja virtuoso, tenha desapego, vença os desejos e por fim lhe diz: esqueça tudo isso também, pare de julgar os outros, apenas aprenda a ser você mesmo.  Não existe céu, nem inferno, nem pecado: tudo está dentro de nós; apenas liberte-se do que lhe oprime e seja feliz; quem é feliz não agride.

Quer que sua vida mude? Então mude a você mesmo primeiro. Como esperar que a vida seja o que nós queremos, se não conseguimos ser quem somos realmente? Precisamos antes nos despir de todas as máscaras sociais e mentiras que criamos para nos proteger de nossos medos, descobrir onde está a nossa sombra e o que fazer com ela.

Costumamos dizer que quem não vem pelo amor, vem pela dor, e assim boa parte dos que chegam na Umbanda chegam sedentos de algo que acreditam faltar em suas vidas. Chegam como pedintes de tudo o que se pode imaginar: carro, casa, dinheiro, poder, sexo, amor, saúde, paz e etc.  Mas a Umbanda vai nos mostrando um caminho que propõe uma mudança de olhar para nossas vidas. No princípio, por meio de limpeza astral, corte de demandas, descargas, muitos passam a compreender parte desta magia divina que nos alivia de fardos pesados oriundos de terceiros.

Com um refinamento de sensibilidade, vamos compreendendo que também temos nossa parcela de responsabilidade nas relações conflituosas e criadoras de tantas demandas em nossas vidas. Por meio da mediunidade ou da apuração de uma sensibilidade, vamos sendo aguçados no caminho do conhecimento acerca das energias e forças que movem toda esta realidade. Muitos não passam da primeira fase e se tornam eternos pedintes, mendigando nas portas dos terreiros, fazendo de muleta as manifestações espirituais, tendo-as por oráculos infalíveis e desejando-os a sua disposição.

A estes, que não passam da primeira fase, torna-se muito tentadora a ideia de comprar a mediunidade alheia, de possuir as respostas para as perguntas ainda não feitas e poder prevenir-se do inevitável.  A Umbanda é como o pai e a mãe ideal, que conscientes desta missão, não criam os filhos para si, sabem que os filhos não são sua propriedade e desta forma os criam para o mundo. Nas palavras de Kalil Gibran, a Umbanda é o arco que nos impulsiona tal qual flechas no sentido e na direção que apontam nossos corações.

Os que passam da primeira fase, descobrem que a Umbanda não é balcão de milagres, que nossos Guias não são oráculos, descobrem que temos uma família espiritual para nos acompanhar, dar força e orientar. É possível descobrir que temos mestres pessoais, Guias para a vida, e que a busca maior está voltada para os tesouros internos que cada um carrega e não pelas posses materiais ou posições efêmeras que este mundo pode nos oferecer. Estes mestres, mentores e Guias farão de tudo para que cada um de nós comece a aprender com a vida, tirando lições de cada situação que a vida nos coloca.  No momento em que tudo passa a ser lição, tiramos o peso do julgamento e começamos a nos tornar mais conscientes.

Quando nos damos conta de que o melhor que há na vida é perceber a vida em si e aprender com ela, então cada momento passa a ser precioso e o maior prazer e dedicação é nos tornamos cada vez mais conscientes de quem somos nós e este é o objetivo maior da Umbanda para nossas vidas.

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